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Morre Leonardo Netto, empresário fundamental na gestão da carreira de Marisa Monte

Empresário foi peça-chave na carreira de Marisa Monte e atuou nos bastidores da música brasileira desde a década de 1970

Com informações de g1

Foto: Reprodução / Instagram Sandra Pêra

Leonardo Netto morreu ontem, 29 de outubro — Foto: Reprodução / Instagram Sandra Pêra
Leonardo Netto morreu ontem, 29 de outubro

“Aqui no Brasil ela é a Madonna”. A frase foi dita pelo empresário Leonardo Netto em entrevista concedida em 2007, quando falava sobre Marisa Monte. Conhecido como Léo Netto, ou Leozinho para os amigos mais próximos, ele cuidou da carreira da cantora desde 1987, ano em que ela se apresentou em um show que depois ganhou status de cultuado entre o público da Zona Sul do Rio de Janeiro (RJ).

Para além de empresário, Leonardo Netto foi peça-chave na criação da aura de estrela que cercou Marisa Monte desde os primeiros passos da carreira.

O talento da compositora e cantora chamou atenção logo de início. Ao mesmo tempo, as ações de marketing, ou de antimarketing, como também podiam ser chamadas, planejadas por Léo para colocar Marisa em evidência na imprensa e gerar expectativa a cada disco ou apresentação, tiveram enorme qualidade e renderam resultados igualmente expressivos.

Leonardo Netto nasceu em 28 de junho, em um ano que nunca foi divulgado pela imprensa, e morreu ontem, 29 de outubro de 2026. Ele enfrentava uma doença longa, também nunca revelada publicamente, que o afastou dos bastidores em 2018, justamente no começo da turnê dos Tribalistas pelo Brasil e pelo exterior. O grupo, formado em 2001 por Marisa, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, teve em Léo um de seus articuladores.

Nas redes sociais, nomes como Regina Casé, para quem Léo também atuou como empresário, e Rodrigo Pitta manifestaram pesar pela morte de Leonardo Netto.

Fora do círculo de seguidores mais atentos de Marisa Monte, Léo quase não era conhecido do grande público, embora tenha exercido papel decisivo nos bastidores da música brasileira.

Além de dirigir alguns shows de Marisa, em parceria com ela e com Cláudio Torres, como “Universo particular” (2006 / 2007) e “Verdade, uma ilusão” (2012 / 2013), Léo também empresariou Adriana Calcanhotto, Cássia Eller (1962 – 2001) e Rita Lee (1947 – 2023). Ainda assim, Marisa era a prioridade e a grande menina dos olhos do empresário, por conta da afinidade que sempre os uniu. Pensavam de forma parecida e pareciam funcionar como uma só cabeça.

Início na indústria

Antes da ligação com Marisa, porém, a trajetória de Leonardo Netto já havia começado na música. Em 1976, ele dividiu com Nelson Motta a criação da Frenetic Dancin' Days, pioneira discoteca carioca, onde nasceu o grupo feminino Frenéticas, que fez enorme sucesso na segunda metade dos anos 1970.

Ainda nos anos 1970, Léo passou a atuar no marketing da recém-criada gravadora Warner e logo virou um dos protegidos do influente executivo André Midani (1932 – 2019).

Trabalhando ao lado de Midani, ele reformulou a imagem de Elis Regina (1945 – 1982), que havia chegado à Warner depois de mais de dez anos na gravadora Philips, e criou o visual mais feminino que Elis adotou na capa do álbum “Elis, essa mulher”, lançado em 1979.

Entre o fim de 1981 e o começo de 1982, foi também Leonardo Netto quem levou ao jornalista Ezequiel Neves (1935 – 2010) a fita demo do então iniciante Barão Vermelho. Foi assim que Ezequiel conheceu (a voz de) Cazuza (1958 – 1990), e a partir daí surgiu mais uma história importante em que Leonardo Netto teve participação.

Também merece registro a criação, em parceria com Rodrigo Pitta, do musical de teatro “Pátria armada”, estreado em 2007, cuja dramaturgia se passa no Brasil dos anos de chumbo da ditadura militar.

No entanto, foi à frente da carreira de Marisa Monte que Leonardo Netto deixou uma das páginas mais bonitas da história da música brasileira.

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