Música

Lançamento

Roberto Menescal ganha EP de remixes com seis DJs em 'Pure bossa remixes'

Seis remixes reinterpretam clássicos de Roberto Menescal no EP lançado pela Universal Music, com resultados desiguais e destaques na pista

Com informações de g1

Foto: Reprodução / Facebook Roberto Menescal

Aos 89 anos, Roberto Menescal tem cinco músicas da parceria com Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994) remexidas por seis DJs no EP 'Pure bossa remixes' — Foto: Reprodução / Facebook Roberto Menescal
Aos 89 anos, Roberto Menescal tem cinco músicas da parceria com Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994) remexidas por seis DJs no EP 'Pure bossa remixes'

Foto: Divulgação

Capa do EP 'Pure bossa remixes', com músicas de Roberto Menescal

Chegou ao mercado o EP (extended play, formato com mais faixas que um single) “Pure bossa remixes”, que encerra com destaque um ano intenso para Roberto Menescal.

A trajetória começou em janeiro, com o álbum “Bossa sempre nova” (2026), no qual Luísa Sonza interpreta standards da bossa nova. A produção musical desse disco foi orquestrada por Menescal junto com Toquinho.

Menescal completou 89 anos no domingo, 25 de outubro, e caminha para os 90 como uma referência viva da bossa nova. Dois dias antes, a Universal Music havia colocado o EP no mercado. Ele é um artista que observa o novo sem apego saudosista, e esse olhar ajuda a justificar o projeto.

Instrumentista, compositor e produtor, o carioca tem cinco canções da parceria com o letrista Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994) reelaboradas por DJs e produtores, distribuídas em seis faixas.

A diferença entre cinco canções e seis faixas se explica por “Você” (1964). A música abre o disco na versão de Gui Boratto, com timbres que lembram os anos 1980 e a voz de Mariana de Moraes, e retorna ao final na releitura de DJ (disc jockey) Marlboro, nome central do funk carioca desde que o gênero ganhou força em 1989.

Nenhuma das duas versões de “Você” chega a surpreender como inovação ao longo dos 21 minutos e meio do trabalho. A aproximação entre bossa nova e linguagem eletrônica não é novidade: a prática surgiu nos anos 1990, período em que o trio BossaCucaNova apareceu na onda eletrônica que ganhava força.

Foi justamente por esse caminho que Bebel Gilberto alcançou projeção mundial há 26 anos, com “Tanto tempo” (2000), seu primeiro disco. Ela é filha de João Gilberto (1931 – 2019), criador da bossa nova, estilo que Menescal explorou nos sambas refinados feitos com Bôscoli na primeira metade dos anos 1960, dentro da vertente cool. Trata-se de uma música tão atemporal que dispensa DJs para seguir atual.

Um balanço que se sustenta na pista

Feitas as ressalvas, o balansamba de Menescal funciona bem na pista, sobretudo com os remixes dos seis DJs escalados para o EP. Diogo Strausz trabalha a partir da gravação original de “Balansamba” (1963), produzida por Aloysio de Oliveira (1914 – 1995) para o álbum “A bossa nova de Roberto Menescal e seu conjunto” (1963), disco de referência na discografia do artista. O swing original permanece intacto.

Outros dois destaques vêm de Patty Ascher e Béco Dranoff, idealizadores e produtores do EP. O DJ italiano Nicola Conte realça a ligação, nem sempre evidente, entre a bossa nova e a África, berço da música do mundo, na Afro bossa rework de “A morte de um Deus de sal” (1963).

Já a DJ Tata Ogan, percussionista que une tambores a sintetizadores, transforma “Nós e o mar” (1962) em ondas exuberantes. A faixa evolui ao longo de quatro minutos e 41 segundos no Tata Ogan Remix.

O remix de “Rio” fica a cargo do DJ Spinna, produtor norte-americano conhecido por misturar ritmos negros dos Estados Unidos, como funk, soul e rap, ao universo eletrônico. O resultado mostra que o “barquinho” de Menescal é tão forte que atravessa outros mares musicais sem perder o balanço da bossa.

Em resumo, o EP funciona como um saboroso aperitivo para a grande comemoração dos 90 anos de Roberto Menescal, marcada para 25 de outubro de 2027.

Conectando… Ao vivo Avisar que está fora do ar
Continuar ouvindo