Dionne Warwick se despede dos palcos no Rio com clássicos da carreira e homenagem à música brasileira
Foi no Vivo Rio, no último sábado (17), que a cantora norte-americana Dionne Warwick deu início ao encerramento emotivo de sua trajetória nos palcos. O show fez parte da turnê “Over and Out – A Farewell Tour” e combinou hits da carreira internacional da artista com um bloco inteiro voltado à música feita no Brasil.
Aos 85 anos, com mais de seis décadas de atuação, Warwick fecha uma etapa da vida artística sem romper os laços que criou pelo caminho. O repertório carioca trouxe “Walk On By”, “I Say a Little Prayer”, “I’ll Never Love This Way Again” e “That’s What Friends Are For”, além de canções brasileiras que se conectam diretamente à sua discografia.
Homenagem ao cancioneiro brasileiro
Um dos pontos altos da noite foi o trecho reservado às composições do país. Dionne cantou “Garota de Ipanema”, “Wave”, “Águas de Março” e “Aquarela do Brasil” em versões em inglês. Ela mesma reconheceu que o próprio português é “nulo”, mas contou, com bom humor, que já aprendeu a dizer “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”.
A escolha das músicas nacionais vai além da passagem de uma estrela internacional pelo país. Em 1994, a artista lançou o disco Aquarela do Brasil, produzido por Téo Lima e dedicado a composições brasileiras. O trabalho reuniu obras de autores como Tom Jobim e Ary Barroso e teve a presença de grandes nomes da música nacional, entre eles Chico Buarque.
Laços de amizade
As amizades também ajudam a explicar essa ligação. Dionne dividiu palcos no Brasil em 2009 com Gal Costa, cuja morte lamentou em entrevista à CNN Brasil, às vésperas da turnê de despedida. Na ocasião, ela disse que gostaria de ter dividido o palco com a amiga nesta última passagem pelo país.
Revelada no início dos anos 1960, Warwick ganhou projeção com canções do pianista Burt Bacharach e de Hal David, parceria que ajudou a moldar o estilo refinado de seus primeiros sucessos. Nas décadas seguintes, ela ampliou o repertório e voltou às paradas com “Déjà Vu” e “Heartbreaker”.
Em 1985, a gravação de “That’s What Friends Are For” ao lado de Elton John, Gladys Knight e Stevie Wonder transformou a canção em símbolo da mobilização contra a AIDS, com verbas destinadas à pesquisa. Seu reconhecimento inclui o Grammy Lifetime Achievement Award, recebido em 2019, e a entrada no Hall da Fama do Rock em 2024.
Uma decisão amadurecida
A saída dos palcos foi resultado de uma reflexão feita ao longo do tempo. Ainda assim, ela não representa o fim da atividade musical. Dionne prepara o álbum DWuets, apresentado como seu último trabalho, com canções escritas por Diane Warren e duetos com artistas de diferentes gerações, como John Legend e Cynthia Erivo.
Ao deixar para trás a rotina de apresentações que atravessou gerações, Warwick se afasta do formato das turnês, mas a relação com o público brasileiro parece seguir um caminho independente delas. Ao confirmar aos fãs que eles não a veriam mais no palco, ela tratou o assunto com leveza:
“Mas vocês ainda vão me ver por aí, seja no restaurante, no shopping, na praia, eu ainda voltarei para cá.”
Setlist no Rio de Janeiro
O roteiro apresentado em 17/10/26 teve as seguintes faixas: “Walk On By”; “Anyone Who Had a Heart”; “You’ll Never Get to Heaven (If You Break My Heart)”; “I’ll Never Fall in Love Again”; “Message to Michael”; “This Girl’s in Love with You”; “I Say a Little Prayer”; “Alfie”; “The Girl from Ipanema” (Garota de Ipanema); “Oh Bahia” (Na Baixa do Sapateiro); “Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars)”; “Wave”; “Waters of March” (Águas de Março); “Aquarela do Brasil”; “Do You Know the Way to San Jose?”; “If I Want To”; “I’ll Never Love This Way Again”; “Déjà Vu”; “99 Miles from L.A.”; “What the World Needs Now Is Love”; e “That’s What Friends Are For”.