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Nicko McBrain sugeriu Aquiles Priester para substituí-lo no Iron Maiden

Com informações de Igor Miranda
Nicko McBrain sugeriu Aquiles Priester para substituí-lo no Iron Maiden
Foto: Igor Miranda

Aos 74 anos, Nicko McBrain se afastou das excursões do Iron Maiden no fim de 2024. A saída ocorreu cerca de dois anos depois de o baterista sofrer um mini-AVC (acidente vascular cerebral). Mesmo após um processo de recuperação longo, ele não conseguiu voltar ao mesmo nível de execução que apresentava no passado.

Quem assumiu a bateria foi Simon Dawson, músico que já havia tocado ao lado do baixista e líder Steve Harris no projeto paralelo British Lion. Antes disso, contudo, McBrain indicou outro nome para a função: o brasileiro Aquiles Priester, conhecido por seu trabalho com Angra, W.A.S.P., Hangar e outras bandas.

A revelação está no trecho da autobiografia “Hello Boys and Girls!”, cujo lançamento no Brasil está previsto para fevereiro de 2027. A editora Belas Letras, responsável pela edição nacional, cedeu o conteúdo ao site IgorMiranda.com.br.

Os bastidores da escolha

No relato, McBrain explica como a troca começou. Ele conta que Dawson estava nos Estados Unidos quando Harris lhe perguntou se haveria problema em que o substituto ensaiasse com o grupo em Portland. Na sequência, o baterista descreve a própria sugestão:

“Simon Dawson, que tocava bateria havia anos no projeto paralelo do ’Arry, o British Lion, estava nos Estados Unidos. O ’Arry então perguntou se eu me importaria que ele ensaiasse com o grupo em Portland. Cheguei a sugerir Aquiles Priester, um grande amigo meu e fã assumido do Maiden, como outra possibilidade. A vantagem é que o Simon conhecia de cabo a rabo o jeito de tocar do ’Arry e vice-versa. E, claro, eu não tinha problema nenhum em deixá-lo tentar. O ’Arry e os caras ainda não estavam prontos para encerrar a história do Maiden, portanto um baterista mais jovem permitiria que continuassem na ativa pelo tempo que quisessem. O Simon arrasou no ensaio, me convencendo de que logo deixaria sua própria marca na banda.”

Em outra passagem do livro, McBrain comenta o impacto que sua carreira provocou entre músicos mais novos. Segundo ele, jovens bateristas costumam procurá-lo para dizer que a motivação para tocar vem dele. Entre esses relatos, ele lembra o encontro com Priester:

“A garotada às vezes vinha falar comigo e dizia: ‘Eu toco bateria numa banda e é tudo por sua causa’. E eu geralmente brincava: ‘Não ponha a culpa em mim!’. Mas, falando sério, era muito legal ouvir de alguém que eu o tinha inspirado a pegar um par de baquetas e começar a tocar, especialmente quando o cara era bom. Anos atrás, um baterista brasileiro fenomenal chamado Aquiles Priester, que já tocou com um monte de bandas ao longo dos anos, veio falar comigo:– Você é meu herói. Aprendi a tocar vendo e ouvindo você.Achei aquilo uma loucura – e maravilhoso. O baterista finlandês Kai Hahto, que toca no Wintersun e no Nightwish, me disse a mesma coisa quando o conheci.”

Elogio ao pedal duplo

Essa não é a primeira vez que McBrain fala publicamente sobre Priester. Em entrevista de 2016 ao Madcap Music Review, o músico britânico destacou bateristas que utilizam o pedal duplo com mais habilidade do que ele. Entre os nomes citados estão Dave Lombardo (Slayer) e Thomas Lang, além do brasileiro:

“Aprendi a tocar com apenas um pedal. Sempre fiz a analogia: se é difícil aprender a usar apenas um, imagine com dois? Só que na verdade é o contrário: quando se usa dois pedais, certas coisas são mais fáceis. Ainda assim, por qual motivo mudar? […] Vejo caras como Dave Lombardo e Thomas Lang, ele é fenomenal. Tem Aquiles Priester… sabe, sujeitos fantásticos no pedal duplo. Não dá pra mim. Digo, provavelmente eu conseguiria se praticasse onze horas por dia durante um ou dois anos.”

Priester, por sua vez, costuma apontar o Iron Maiden como peça central em sua formação musical. Em mais de uma ocasião, o brasileiro declarou McBrain como seu baterista favorito e escolheu “Somewhere in Time” (1986), sexto álbum de estúdio do grupo, como seu disco preferido.

Sobre a autobiografia

Com pré-venda ativa, “Hello Boys and Girls!” custa R$ 139,90. Segundo a sinopse divulgada, o livro reúne histórias de bastidores, episódios engraçados e confissões pessoais do músico. Antes de entrar para o Iron Maiden, em 1982, McBrain já havia tocado com Streetwalker, Pat Travers e Trust, construindo sua técnica em sessões de estúdio e nas ruas do Soho, em Londres. A obra também aborda temas como amizade, fé, perseverança e a relevância do músico após décadas de carreira.

Com informações de Igor Miranda, reportagem de Igor Miranda

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