Entrevista
Gabi Melim fala sobre o novo álbum 'Escapismo' e a turnê
Cantora leva o disco Escapismo ao palco pela primeira vez e relembra a pausa causada pela paralisia de Bell
Foto: Rolling Stone Brasil
A cantora Gabi Melim sobe aos palcos nesta sexta-feira, 30 de outubro, para mostrar ao vivo, pela primeira vez, o disco de estúdio solo Escapismo. O show abre a turnê que leva o mesmo nome e percorre etapas diferentes da trajetória da artista. O roteiro combina faixas inéditas com novas gravações de músicas da banda Melim e do álbum solo anterior, organizado em três atos que simbolizam começo, meio e fim.
Em conversa com a Rolling Stone Brasil, a artista detalhou como o trabalho foi montado e como pensa a próxima turnê.
De onde vem Escapismo?
O projeto é o segundo trabalho solo de Gabi Melim desde que ela deixou a Melim, grupo que formava com os irmãos Diogo e Rodrigo até 2023. Assim como o espetáculo que está prestes a acontecer, o material audiovisual foi estruturado em três atos. O primeiro retoma composições da Melim que circularam apenas no YouTube, com a inclusão de “Peça Felicidade”, que passou a fazer parte do repertório. O segundo traz regravações de faixas de Gabriela, e o terceiro apresenta Escapismo como símbolo de uma nova fase na carreira.
O sucessor de Gabriela (2024) marca o retorno da artista à rotina de shows. Pouco depois de lançar seu primeiro álbum solo, Gabi Melim precisou suspender a divulgação para enfrentar dois episódios de paralisia de Bell, condição que provoca a paralisia temporária dos músculos do rosto.
Para ela, a interrupção foi um dos motivos que a levaram a criar novas versões de músicas já lançadas. “Regravar o Gabriela foi uma forma de trazer uma nova vida para as músicas, poder cantá-las no show e de fato poder trocar com a galera sobre essas músicas. Porque isso não acabou não acontecendo por causa da Paralisia”, disse a artista.
As regravações das canções do Melim, segundo ela, também servem para “mostrar que eu abraço a minha história, a minha trajetória, que me fez chegar aqui”.
Ao comentar este momento de lançamento, Gabi Melim destacou a alegria de levar o trabalho ao palco: “Para mim, um trabalho, ele realmente se realiza quando eu consigo apresentar ele ao vivo em um palco depois de lançar”.
Os bastidores do álbum
Desde o início da relação com a música, Gabi já passeou por vários estilos, e essa pluralidade aparece em Escapismo, que dialoga com a MPB (Música Popular Brasileira). “As músicas já conversam entre si, porque são ritmos todos brasileiros, ritmos que nasceram muito da MPB. Tem gafieira, xaxá, coco, afoxé”, explica.
O resultado reúne as referências da cantora de forma atualizada. Segundo ela, esse caminho permitiu conversar com a própria geração e também com quem veio antes e com quem chegou depois.
Compositora e cantora, Gabi gosta de acompanhar todas as etapas da produção de um disco. A seleção do repertório é o ponto de partida: ela escreve muitas músicas e separa as que melhor traduzem a mensagem do projeto. Depois, segue em cada passo seguinte: “Me envolvo 100% na parte criativa, na parte visual, em tudo”.
Sobre a origem do álbum, Gabi afirma que o mundo vive a “era do escapismo”, impulsionado por uma rotina exaustiva e acelerada. “No final do dia, buscamos alguma coisa para poder escapar”. Ela diz que, mesmo com faixas de ritmo alegre, as letras trazem mensagens que define como pontiagudas.
O disco começa com “RodaGigante”, faixa de abertura que traduz, em parte, o período de pausa forçada pela paralisia de Bell. “Eu, de fato, tive que pausar a minha vida. Não tive muita escolha”. Os versos “O caos vem antes de coisas grandiosas / O medo mora no futuro e faz paralisar / Às vezes o único jeito é acreditar / No tempo e passar das horas” reforçam, na visão da artista, a ideia de que a vida funciona como uma “roda gigante”.
Além dela, outras cinco faixas são inéditas: “Tu me olha”, “Escapismo”, “Onça Selvagem”, “Vícios de carnaval” e “Sou Brasileiro”.
A faixa-título, “Escapismo”, é uma parceria com Luísa Sonza, que, segundo Gabi, defendeu bem a mensagem da canção. “É uma música que fala sobre uma pessoa que passou por relações abusivas e que saiu desse lugar. Não é uma música de vítima, é uma música de uma pessoa forte, bem feminina”, diz.
Outras participações completam o álbum: Duda Beat aparece em “Belo Horizonte”, Mestrinho em “Mexe com meu juízo”, Maria Gadú em “Um salve” e Ana Gabriela em “Pétalas”. Alguns desses nomes já tinham colaborado com as versões anteriores, enquanto outros entram agora, como Maria Gadú, citada por Gabi Melim como uma referência. Mestrinho já havia participado tocando acordeon e, desta vez, canta junto; para a artista, essa mudança trouxe mais verdade à música.
O que o público pode esperar do show?
Gabi Melim conta que montou o repertório pensando em não decepcionar seus fãs, por isso o novo show abrange o álbum inteiro. Com Gabriela, ela chegou a fazer apresentações avulsas, que precisaram ser interrompidas, e por isso sente uma realização especial agora. Sem os shows, segundo Gabi, “parece que fica faltando a maior parte”.
A artista espera uma noite divertida e deseja aproximar mais pessoas da música brasileira. “Espero que minhas canções empoderem as pessoas, principalmente esse terceiro ato.” “Que as mulheres se sintam fortes, representadas e que elas se divirtam”, completa.
Gabi Melim | Turnê Escapismo
Data: 30 de outubro de 2026
Horário: 20h30
Local: Bona Casa de Música — São Paulo/SP