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Os 5 discos essenciais do rap nacional, segundo Rashid

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o rapper comenta os álbuns que ajudaram a moldar sua trajetória e sua visão sobre o gênero

Com informações de Rolling Stone Brasil

Foto: Rolling Stone Brasil

Os 5 discos essenciais do rap nacional, segundo Rashid

Quando um artista é convidado a citar os álbuns que o moldaram, a resposta costuma dizer muito mais do que preferências musicais. Com Rashid, em entrevista à Rolling Stone Brasil, cada uma das cinco escolhas aponta para um momento diferente da sua caminhada até o ponto em que está hoje. Entre elas aparecem obras consagradas, lançamentos mais recentes e um disco em que ele atuou sem dimensionar o que viria a representar. Há ainda o trabalho de um amigo próximo, que, segundo ele, será estudado por muitas décadas.

A lista tem foco no rap brasileiro e atravessa gerações distintas da cena nacional. Rashid comenta cada trabalho de maneira direta e segura, como quem fala de referências que seguem relevantes. No conjunto, as indicações mostram um percurso que dialoga o tempo todo com aquilo que o rap pode oferecer. Veja a seguir:

Stefanie — Bunmi (2023)

Ao falar de Bunmi, Rashid afirmou: “Disco absurdo que me fez refletir muito para a criação do meu próprio álbum”. O projeto de Stefanie conversa com a tradição do rap paulistano, mas mantém uma identidade própria. Para o rapper, a escuta foi além da admiração e influenciou tanto o modo como ele produz quanto a forma como pensa a própria música.

Kamau — Non Ducor Duco (2008)

A reação de Rashid a Non Ducor Duco, primeiro álbum de Kamau, lançado em 2008, cabe em duas palavras: “Absurdo. E eu tô lá.” O título faz referência ao lema em latim presente no brasão de São Paulo, cuja tradução é “não sou conduzido, conduzo”. Rashid participou da gravação sem supor o peso que o disco ganharia com o passar do tempo. Ele também disse: “quem dera eu soubesse que ia ser um clássico quando gravei, né?”. Assim, une o orgulho de ter feito parte do projeto ao reconhecimento de sua importância para o rap paulistano contemporâneo.

SP Funk — O Lado B do Hip Hop (2000)

“SP Funk é um grupo fundamental para a formação da minha geração”, declarou Rashid, que seguiu no mesmo raciocínio: “Os caras que meio que mostraram que dava para usar as rimas de batalha que a gente adorava nas músicas”. O Lado B do Hip Hop levou às faixas a intensidade dos duelos de improviso, em que cada verso precisava acertar em cheio e de imediato. Para Rashid e sua turma, o disco provou que a espontaneidade da rua podia andar lado a lado com o cuidado técnico. Essa ligação passou a servir de inspiração para o artista.

Racionais MCs — Sobrevivendo no Inferno (1997)

Mesmo admitindo que escolher um único disco do Racionais MCs não é tarefa simples, Rashid defende sua preferência com clareza. Ele resume o impacto do álbum com uma frase: “Sobrevivendo no Inferno meio que abriu os portais da minha mente para o que o rap poderia fazer por mim e o que eu poderia fazer com o meu rap para o mundo”. Lançado em 1997, o trabalho expandiu os limites do rap brasileiro e mudou a forma como a periferia contava a própria realidade. Para quem se viu retratado naquelas músicas, o disco funcionou como um guia. Rashid esteve entre esses ouvintes e, a partir dali, passou a enxergar o rap tanto como reflexo da vida quanto como ferramenta de transformação.

Emicida — Amarelo (2019)

Rashid define Amarelo, de Emicida, lançado em 2019, com uma comparação incomum: “Um desses meteoros assim que caem de vez em quando”. Ele também observa: “É um disco que fura a bolha do rap, ao mesmo tempo que é muito rap”. Para o rapper, o álbum do “amigo querido” alcança públicos novos sem se afastar das origens do rap nacional. A obra tornou-se trilha sonora da pandemia, impulsionou doações e reuniu Pabllo Vittar, Majur, Gilberto Gil e Zeca Pagodinho em um mesmo projeto. Na avaliação de Rashid, a relevância do disco vai durar: ele acredita que será estudado pelos próximos 200 ou 300 anos.

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